A marca brasileira de perfumaria autoral, que tem Isaac Sinclair e Fanny Grau como “narizes”, completa 10 anos e foca em fragrâncias de uso pessoal e sem gênero.

Para Fábio Ottaiano, a criação de um perfume pode ser comparada à de uma obra de arte. Formado em relações internacionais, com especialização em negócios, ele fundou em 2011 a marca de perfumaria autoral L’envie Parfums. “Optamos por desenvolver fragrâncias autorais porque, pelos nossos princípios, o perfumista tem que ter liberdade de criação, seguindo as suas inspirações, desejos e experiências. Entendemos o perfumista como um artista”, afirma.

Naquela época, Ottaiano já era amigo do “nariz” Isaac Sinclair, neozelandês radicado no Brasil e um dos mais jovens Master Perfumers do mundo. “Foi natural convidá-lo para ser o nosso principal perfumista. Nossa ideia sempre foi buscar os melhores talentos e o Isaac, com sua atuação internacional na Itália, França e depois no Brasil, tinha a experiência que buscávamos”, conta o empresário. A equipe foi posteriormente reforçada por Fanny Grau, perfumista francesa formada na Alemanha. “Quando ela veio para o Brasil e o Isaac nos apresentou, achamos incrível trazê-la para o time e ter um olhar feminino e diferente”.

Apesar de brasileira, a L’envie busca inspiração em outras culturas e a dupla internacional de perfumistas veio somar a essa proposta. “Desde o início, a marca simpatiza com o multicultural. Acreditamos que essa fusão de referências e backgrounds, unindo Brasil, Nova Zelândia e França, traz muita riqueza para nossas criações. Por isso nossos briefings são sempre uma troca, bastante abertos e colaborativos, deixando transparecer a mistura de culturas e o lado artista de cada um”, diz Ottaiano.

Segundo ele, a L’envie foi fundada com o intuito de criar fragrâncias para uso pessoal. Mas a linha de perfumaria para casa ganhou uma grande proporção. “Na época em que lançamos nossas velas perfumadas, há dez anos, ainda era um mercado muito pouco explorado no Brasil”. O portfólio tem hoje 140 produtos, incluindo velas, difusores, home sprays e sabonetes líquidos.

“Agora nossa atenção será cada vez mais focada na perfumaria de uso pessoal”, afirma o executivo. Atualmente, a marca conta com oito fragrâncias autorais, todas sem gênero. “Acreditamos que essa é uma tendência e que os consumidores brasileiros estão abertos para a proposta. Já é comum que mulheres usem perfumes masculinos e vice-versa. Alguns dos nossos perfumes agradam mais aos homens e outros agradam mais às mulheres, mas não há uma indicação de para qual gênero eles foram criados, porque isso limitaria a escolha e a liberdade do consumidor”.

Os produtos estão disponíveis em mais de 600 pontos de vendas no Brasil, além do seu site de compras. Há três anos, buscando superar a barreira da falta do olfato na venda online para a perfumaria, Ottaiano inseriu no seu e-commerce o Discovery set, um kit com amostras das fragrâncias da L’Envie para o corpo e para a casa.

“No início, as vendas foram bem tímidas, mas tomaram corpo durante a pandemia, com a restrição ao comércio tradicional. Percebemos que a compra do kit se transformou em algo mais do que um simples produto, mas uma experiência olfativa que as pessoas levaram para dentro de casa”, diz o fundador da L’envie, que registrou um crescimento de 100% em 2020, comparando com o ano anterior.

Questionado sobre o projeto de expansão da marca e se lojas próprias estavam em seus planos, Ottaiano revela: “é uma possibilidade que pensamos, sim”.
 

Fonte: https://www.brazilbeautynews.com/o-perfumista-tem-que-ter-liberdade-de-criacao-diz,4132

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